sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
carta para você
terça-feira, 30 de novembro de 2010
balões
Eu lembro de uma vez quando era pequena e enchi um balão vermelho maior que o normal, com aquele gás que faz voar alto. E amarrei uma fitinha azul no meu pulso e na ponta do nó vermelho, mais acima. E fiquei assim, presa ao meu balão, que parecia alto demais se eu arriscasse um olhar pra cima. E fui brincar.
No meio de uma corrida, o nó da fita se soltou e o balão saiu voando meio rápido para o meu pouco tamanho conseguir alcançar. Não podia fazer nada mais do que olhar ele subir. E subir um pouco mais.
Porque só o meu balão? Não podia ser o das outras meninas? E foi aí que eu entendi o que era perder.
Pode ser um exemplo bobo, mas vendo aquele vermelho virar um pequeno pontinho no céu enorme, eu percebi como é ruim ver o que você gosta, indo embora.
Desde então, ao invés de amarrar os meus balões mais forte no pulso, eu simplesmente parei de dar o nó nas suas pontas. Os enchia e soltava no ar, fazendo ele rodopiar perto de mim, por um momento meio breve, até perder todo o gás. Fiz isso por realmente muito tempo. Era uma forma fácil de me sentir feliz por ter um balão cheio, mesmo que ele não durasse muito tempo e nem andasse ao meu lado para todos os cantos, com uma fitinha nos unindo.
Mas outro dia, eu ganhei um balão tão diferente, que ao encher de gás, parei e fiquei contemplando tempo demais aquela cor, antes de soltar e o ver rodopiar.
E aí, para minha surpresa não consegui. E fiz um nó, prendendo o ar dentro dele. Amarrei uma fitinha azul no pulso e senti prender a minha respiração, ao amarrar o balão, na outra ponta com um nó forte.
Ele era tão lindo. Me faltava o ar, só de ficar olhando.
Sai andando com ele por todos os lugares, sem soltar, sem desamarrar, verificando sempre se o meu nó está bem preso. Mas às vezes eu me pego tão absorta na cor do meu balão, e em como ele fica quando bate o Sol, que eu esqueço da fitinha azul e de repente vejo ela meio solta. Meio longe. Entro em pânico.
Não sei mesmo o que faria se visse meu balão subir, subir e desaparecer no imenso mais acima. Sem poder fazer nada.
Eu queria escrever sobre balões e sobre como eles voam alto. Mas percebi que simplesmente não suporto a idéia de que quando são soltos, eles planam sozinhos. Até acabar todo o gás que os faz voar.
E tudo isso só pra dizer que eu preciso de você aqui, mesmo que o tempo passe, mesmo que a minha fitinha azul desbote.
Minhas incertezas foram embora, deixando espaço para o meu amor caber. E para os meus olhos enxergarem todo o vermelho vivo, contrastado na fitinha presa.
Não se solta de mim.
Às vezes me pego dando outros tantos nós por cima do primeiro. Mas de nada adiantaria, porque se o balão quisesse se soltar, o tempo faria isso por ele. Então se segura! É só isso que eu te peço.
Não se solta de mim.
Eu não saberia te ver voando pra longe daqui.
Texto escrito pela: Amanda Stefanone.
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Eu me identifique
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
anteriormente
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
foi o que aconteceu
Garoto: Eu terminei com ela.
Seu melhor amigo: O que aconteceu?
Garoto: Ela é simplesmente demais para mim.
Seu melhor amigo: O que te fez dizer isso? O que ela fez de errado?
Garoto: Bem, por um lado … Ela só se preocupava com sua aparência.Sempre demorava para se vestir! Tão insegura …
Seu melhor amigo: Então, você quebrou o coração dela, porque ela queria manter os seus olhos fechados sobre ela? Ela queria que você visse que tem a garota mais bonita e não deveria pensar de outra forma? É …
Garoto: Ah .. Bem .. Ela muitas vezes me manda mensagens me perguntando onde eu estou, com quem estou, me dizendo para não fumar, não beber. Ela é tão apegada!
Seu melhor amigo: Então, você quebrou o coração dela, porque ela se preocupa com seu bem estar? Porque ela se importa com você? E seu maior medo é perder você. É…
Garoto: Mas .. Ah .. Bem, ela sempre chorava. Ela não pode lidar com qualquer coisa. Ela é um bebê chorão!
Seu melhor amigo: Então, você quebrou o coração dela, porque ela tem sentimentos? E porque ela só queria ouvir você dizer que ama? É…
Garoto: E.. Bem! Você sabe, ela tinha ciúmes. Eu mal podia falar com outras meninas! Ela é tão irritante!
Seu melhor amigo: Então, você quebrou o coração dela, porque ela só queria que você se comprometece com ela? Ela pensou que era fiél, mas você mentiu para que ela. Ela só queria que o cara que ela mais ama para amasse somente a ela. É…
Garoto: Bem, ela …
Seu melhor amigo: Você terminou com ela porque ela é boa para você? Ela só queria o melhor para você? Ela está acabada agora, porque você é egoísta. Você está orgulhoso?
Garoto: Eu quebrei seu coração … Porque eu não podia ver o que estava acontecendo … O que aconteceu comigo?
Seu melhor amigo: Você perdeu a garota que te amou como ninguém pode. Você vê? Você não queria ela quando tudo que ela sempre quis foi você. Foi o que aconteceu.
créditos: moniqueaz
sábado, 2 de outubro de 2010
desapegar-se
Minha meta de hoje, e quero que dure para sempre, é acabar com a minha pequena dependência que eu tenho de você, aquela velha historia de estar em um lugar cheio de pessoas e sentir falta de uma, certamente você sabe que esse texto é para você, e fico triste por ter que escrevê-lo, mas não é com a intenção que você leia, e sim com a intenção de que eu leia. Pois parece mágica, tudo que eu escrevo em um pedaço de papel acontece, lógico na maioria das vezes somente coisas ruins, pessimismo? Não, é meu estado de realidade agora. Afirmo com toda certeza que todos já passaram por isso, ter cinco ligações perdidas do celular (epedircomtodasasforçasquesejasuapelomenosuma) e nenhuma for sua, acordar com quatro mensagens no celular (epedircomtodasasforçasquesejasuapelomenosuma)e nenhuma for sua, encontrar dez pessoas que você só viu uma ou duas vezes (epedircomtodasasforçasparaumadelasservocê) e nunca te encontrar, é a mesma coisa que escrever esse texto e querer que você não leia, porque não é para você, e sim pra mim, um texto feito sobre eu e para mim.
Minha vida está de cabeça para baixo, tentando aproveitar o máximo, mas sentindo falta de quem nunca sentiu, de quem nem imagina, de quem queria não sentir, de quem ela (terceirapessoapramimémaisfácil) mais deseja que se apegue a ela, ou ela terá a meta de desapegar-se decretada.
E o que eu faço para tentar colocar minha cabeça no lugar?
Eu culpo você.
Eu brigo com você.
Eu reclamo de você.
Eu cobro de você.
Eu faço tudo com a maior consciência, mas é só para você prestar atenção em mim. Só para eu roubar um tempo do seu dia para mim.
Eu nunca fico de bem comigo mesma por fazer isso. Mas agora, eu vou embora e prometo parar.
Eu prometo me desapegar.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
das feridas que não cicatrizam
Dia desses me disseram que eu não tinha medo de me entregar, que eu tinha era preguiça de pensar, de pensar sobre mim, onde eu estava errando, em tudo o que aconteceu nos meus últimos relacionamentos e fazer um balanço de tudo que vem dando errado, para que assim eu pudesse assumir a parte que me cabe, mudar e tentar fazer diferente nas próximas vezes. Okay, admito que fui pega.
Pode ser isso também, afinal, é fácil fazer um balancete e constatar que você também fez merda, é mais fácil ainda dizer “eu vou mudar”, mas mudar de fato, não é tão fácil assim.
Existem coisas, digo, feridas mais profundas que certa vez doeram tanto que acabaram criando um tipo de memória por erros, quer dizer, sabendo o quanto vai doer tocá-la novamente, você prefere fingir que tudo melhorou e segue em frente. Vez em quando pensa nela, acha que a vida vai ser melhor se tratá-la de uma vez, mas daí lembra da dor e bom, é melhor deixar assim.
Algumas mudanças vão além de um corte de cabelo ou uma nova tatuagem, algumas mudanças vão além de ser mais paciente e saber ouvir, algumas mudanças tem a ver com olhar-se no espelho e finalmente dizer “meu Deus, como eu sou linda”, para que então você possa enfrentar o mundo ciente de que todas as pessoas são bonitas, inclusive você, para que finalmente você possa olhá-las de frente e amá-las sem se desculpar por isso. Algumas mudanças tratam-se de insegurança, aquela que você cultiva desde os cinco anos de idade quando riram da sua cara por que você pediu para ir fazer xixi, ao invés de dizer “eu quero usar o banheiro”, aquela insegurança que não lhe permite pensar em voz em alta, olhar nos olhos e amar de corpo de alma.
Então ao saber de tudo isso o que você faz? Nada.
Você se sente com oito anos de novo, tentando entender pra que diabos serve o mundo e esse coração que acelera toda vez que aquele menino bonito passa no corredor.
Enquanto isso as pessoas que te conhecem repetem o mantra: “Faz alguma coisa, você não tem mais oito anos!”
Pois é, não tenho.
Não tenho e o quero como nunca quis ninguém, mas quero também poder olhar em seus olhos e dizer: “Eu te quero” e não culpá-lo caso ele não me queria de volta. Não ME culpar caso ele não me queira de volta. Eu quero dizer em voz alta todos os meus pensamentos e não sentir o corpo queimando como quem comete uma terrível travessura. Quero falar o que penso com a certeza de quem viveu cem anos.
Mas primeiro eu quero entender como cutucar a ferida vai diminuir a minha dor.
créditos: depoisdosquinze
domingo, 19 de setembro de 2010
eu ...
Eu sou a que no mundo anda perdida,Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
para sempre eu e você

"Quem foi rei nunca perde a majestade", clichê, é assim que defino essa frase, clichê mas é bem o que acontece. Ao seu lado eu achava que não precisava de mais nada, estava vivendo meu conto de fadas, mas me enganei, não sei direito o que aconteceu. Bem eu acho que sei, fui trocada, sim, essa é a palavra certa, trocada.
Hoje o que prevalece entre nós é o silêncio. Se você está com ela faz questão de vir mostrar, a exibe como um troféu, mas se eu fosse tão insignificante para você, você não se preocuparia tanto em vir me incomodar, me provocar. Você se faz de esperto, e quer bancar o difícil, nossos olhares se cruzam e ai você finge não me ver, então me diz que ainda guarda nossas fotos, e que ouvindo aquela música, de mim você lembrou. Mas só queria te falar que em você ainda penso, sou a mesma de antigamente, aquela que morria por você, então vem, deixe seu orgulho de lado que eu ainda te espero pra um recomeço !
escrito por: Yasmin Hage (twitter)
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
o resto das coisas

Imagine se, por causa daquele longo adeus que eu dei e que nunca mais acabou, porque o adeus definitivo dói demais, você volta e me encontra sem as mãos? Imagine se você me encontra sem joelhos porque resolvi contar a Deus o quanto ainda confundo amor com escravidão?
Imagine só você me encontrar sem fígado, porque você mesmo o deixou naquele pote estranho em cima do móvel da cozinha enquanto me contava coisas que eu não queria saber?
Não posso ser uma mulher incompleta, tem tanto amor dentro de mim que, mesmo eu sendo inteira, quase já não cabe. Mas se eu der um passo, um passo apenas, eu vou deixar um rastro do que eu fui pra você e você vai querer voltar pra casa como um cachorrinho fiel, mas não vai mais ter casa.
Então eu cerro os olhos, trinco os dentes, fecho os punhos, engulo o ventre e espero você chegar, porque só você me vira do avesso sem perder nenhum grão de mim.
O resto das coisas do mundo quer sempre fazer trocas, o resto me dá vida, mas quer sempre meus pedaços.
E eu acho uma traição sair por aí dando pedaços do meu pulmão para ares mais leves, pedaços do meu coração para risos mais despretenciosos, pedaços do meu umbigo para momentos de altruísmo.
A vida fica surda sem você, porque o volume do mundo abaixa para ouvir meu grito interno. O mundo fica passando como um filme Super Oito na parede, as pessoas estão felizes demais, mas parece que faz tempo demais e sentido nenhum. Sem você sinto essa felicidade sem som, como se, por maior que fosse um sentimento, ele já nascesse com defeito.
Eu sei que as ruas vão continuar com seus lixos, seus cinzas e suas possibilidades de destino. Eu sei que a poeira vai continuar dançando em volta do meu lustre enquanto eu tento me concentrar em duas ou três frases de um livro qualquer.
Eu sei que eu posso muitas coisas sem você, e eu sei que, se eu tomar um banho quente e comprar uma roupa nova, talvez eu possa querer uma coisa que seja, só uma, sem você.
Nada muda no mundo quando você não caminha ao meu lado, as pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar.
Os cachorros cheiram outros mijos, as pessoas estranhas fazem exercícios apertando as mãos levantadas para cima, alguns homens de terno insistem em usar óculos de surfistas como se fossem o super-homem que deixa aparecer um pedaço do S no peito.
Ninguém deixa de espreguiçar só porque você não está aqui, ninguém deixa de molhar a torrada no café e de falar com voz idiota enquanto boceja.
E eu odeio o mundo por isso, eu acho o mundo muito medíocre, eu tenho pena de todas essas pessoas que não sabem o que é encaixar o rosto no vão das suas costas e querer ser embalsamado ali por mil anos.
Amor de verdade não acaba, é o que dizem, mas eu tenho medo. Eu tenho medo de quantos mijos, bocejos, cinzas e óculos de surfistas eu ainda vou ver sem você, eu tenho medo dos meus pedaços espalhados pelo mundo, eu tenho medo do vento passar enquanto eu estou míope, e eu ficar míope pra sempre.
Eu tenho medo de tudo isso apagar e o vento levar suas cinzas, desse fogo todo ser de palha, como dizem. Da dor que se dissipa a cada respirada mais funda e cheia de coragem de ser só.
Eu tenho medo da força absurda que eu sinto sem você, de como eu tenho muito mais certeza de mim sem você, de como eu posso ser até mais feliz sem você.
Pra não pensar na falta, eu me encho de coisas por aí. Me encho de amigos, bares, charmes, possibilidades, livros, músicas, descobertas solitárias e momentos introspectivos andando ao Sol.
E todo esse resto de coisas deixa ao pouco de ser resto, e passa a ser minha vida, e passa a enterrar você de grão em grão, sujando seus dentes e olhos e nada eu posso com a pá que está na minha mão.
O resto das coisas continua encapado por um plástico vagabundo, pedindo que eu espere mais um pouco para rasgar tudo e voltar. Minha vida ficou velha quando te conheci e todo o esforço que eu faço para não morrer a cada segundo longe de você, é a lembrança de um velho caminhão de mudanças cheio de quinquilharias, sem rumo e perdido
escrito por: Tati Bernardi


